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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Estamos caminhando para uma Guerra Híbrida. É a Guerra de Putin. Seria do Maduro e do Morales?


Os possíveis conflitos entre os países da América do Sul podem estar controlados e adormecidos pela busca da integração econômica, comercial e de infraestrutura, juntamente com outras ações que aumentam a confiança mútua entre os Estados.  Mas isso não significa que tenha desaparecido a relação de conflitualidade, a hostilidade não se manifesta apenas pela violência física do emprego do meio militar, ela continua a existir por problemas econômicos, diplomáticos, psicológicos, ideológicos, populistas; pela debilidade dos Estados; e, também, por rompantes nacionalistas e de valores étnico-culturais.

“A Guerra Híbrida é para alguns, o termo cunhado em 2009 pelo jornalista norte-americano Frank Hoffman e antecipado por George Kennan em 1948e é tão antigo como a própria guerra. Trata-se de uma fusão de soldados com e sem uniforme, paramilitares, táticas terroristas, ciberdefesa, conexões com traficantes de drogas, insurgência urbana e fuzis AK-47”. “É uma combinação de meios e instrumentos, do previsível e do imprevisível. Não há fronteiras entre o legal e o ilegal, entre a violência e a não violência. Não há uma distinção real entre guerra e paz.” (Diz Félix Arteaga, pesquisador de Segurança e Defesa do Real Instituto Elcano).

Os atores da Guerra Híbrida são caracterizados por grupos armados de insurgentes, terroristas, milícias e organizações criminosas. Estes grupos veem o conflito como uma continuação da política e utilizam violentas operações irregulares que perduram por um longo período, buscando atingir um controle coercitivo sobre as populações locais. (CLÉMENT-NOGUIER, 2003 - Artigo -  Intervenções para a paz em conflitos assimétricos: desafios na formulação de estratégias de estabilização no século XXI em relação a novos atores beligerantes - Rafael Assumpção Rocha).

A Guerra Híbrida, portanto, implica um mínimo objetivo político, no que se diferencia do banditismo e do gangsterismo ligados ao crime organizado.

2. É a guerra de Putin.

A que o presidente russo leva a cabo na Ucrânia, um conflito que os analistas qualificam de “híbrido” porque une forças regulares e não regulares, desinformação e uma pomposa presença militar em uma ofensiva limitada. (A guerra híbrida do século XXI: métodos legais e ilegais se fundem – 06/12/2014 - Cecilia Ballesteros)

3. Seria a guerra do Maduro?

A que o presidente venezuelano ameaça a levar a cabo no Brasil, em defesa do governo Dilma, que só seria possível com o desencadeamento de um conflito híbrido.

A Venezuela, num sentido ofensivo, busca expandir ideais revolucionários e fomentar o estabelecimento de regimes de relações socialistas, se armou como uma ferramenta-chave para explorar as vulnerabilidades políticas e econômicas de oponentes e para modificar a situação em benefício próprio. (vide: Luiz Gonzaga Schröeder Lessa http://www.reservaer.com.br/est-militares/perigo-venezuelano.html)

Maduro aplicaria as técnicas de um conflito híbrido, patrocinando grupos não governamentais (Fornecendo armamento pesado e leve, munição e recursos financeiros),numa ação dita em defesa do governo Dilma, mais com intuito verdadeiro de fomentar a expansão do bolivarismo, com o estabelecimento de regime similar no Brasil.

4. Seria a guerra do Evo Morales?

“É chamado de “Estado Débil” aquele em que o governo central tem pouco controle prático sobre o seu território. E de “Estado Falido”, o “Estado Débil” que não exerce um governo efetivo dentro de suas fronteiras, em função de altas taxas de criminalidade, corrupção extrema, um extenso mercado informal, judiciário ineficaz, interferência militar na política e presença de grupos armados paramilitares ou organizações terroristas controlando de fato parte ou todo o território, ou, ainda, os Estados são débeis ou falidos, quando perdem o controle exclusivo sobre os meios de coação.”

Potencialmente, um “Estado Falido” ou “Débil” é capaz de desestabilizar uma região inteira. Nele florescem fanatismos religiosos, tribais ou étnicos e ele serve de refúgio a organizações terroristas e criminosas. A multiplicação de forças não estatais, à margem da lei; os diferentes interesses enfrentados; a ingerência de outros Estados, tratando de ampliar sua área de influência; e o colapso dos serviços de Estado degenera, sem lugar a dúvidas, em um conflito ‘’empregando a guerra híbrida.

A Bolívia não possui capacidade militar convencional para vigiar suas fronteiras,portanto, a ameaça de Evo Morales, presidente de um Estado Débil, tendendo para um Estado Falido, é pouco crível.

A Bolívia poderia desencadear ações de guerra irregular na fronteira comum com o Brasil e em regiões de grande concentração de bolivianos,como São Paulo, e poderia aplicar as técnicas de um conflito híbrido, patrocinando grupos não governamentais (Fornecendo armamento pesado e leve, munição e recursos financeiros).

5. Conclusão.

Na América do Sul, se deve ser sensível à preocupação com os regimes populistas de propensão autoritária; com países que possuem milícias organizadas pelo governo em seu território; com países que adotaram um estranho armamentismo;bem como com países onde convivem produtores de droga, traficantes, guerrilheiros e o crime organizado (Estado Débil).

A ameaça venezuelana encontra respaldo em uma sólida base militar que, de forma significativa e pragmática,vai se construindo e consolidando a fim de apoiar as suas pretensões expansionistas, com o objetivo definido de, em médio prazo, transformar a Venezuela no maior poder militar da América do Sul. (vide: Luiz Gonzaga Schröeder Lessa http://www.reservaer.com.br/est-militares/perigo-venezuelano.html)

A Força Terrestre brasileira necessita ter a capacidade de conciliar o emprego de forças militares nas áreas estratégicas da Amazônia Ocidental, Centro Oeste, Leste e Sul, deforma simultânea, em caso de crise com países vizinhos, e, principalmente, no contexto das atuais ameaças.
O Comando Militar da Amazônia, o Comando Militar do Oeste e o Comando Militar do Leste necessitam dispor, de imediato, de recursos militares em quantidades que possibilitem seu emprego no contexto das ameaças Maduro e Evo Morales. Ter uma Força Militar pronta oferece vantagens estratégicas e psicológicas.

O Naval alerta contra o Perigo Venezuelano,,,

Volto ao assunto “Venezuela” por julgar que, dia-a-dia, as implicações e conseqüências para o Brasil do que lá se passa ganham novo realce e dimensão e por sentir que, apesar dos insistentes alertas da imprensa, o governo federal e a sua diplomacia em particular parecem indiferente às turbulências em curso.


Na semana passada a Assembléia Nacional Venezuelana  aprovou as polêmicas 58 emendas constitucionais, a mais preocupante delas aquela que prorroga indefinidamente o mandato presidencial de Hugo Chaves, que declarou pretender ficar no poder até 2031. Jovem ainda, o tempo joga a seu favor e, ao final do período que pré-fixou, estará com 77 anos de idade e todos os atuais líderes mundiais e continentais já terão saído da cena política.

É mais um daqueles exemplos que, periodicamente, atormentam a história mundial e que valendo-se das fragilidades da democracia busca a sua destruição, impondo-lhe um poder ditatorial sob uma roupagem de amplas liberdades e aprovação popular. Pouco a pouco, mas, talvez, já um tanto tarde, igreja,imprensa, oposicionistas políticos e  milhões de cidadãos esboçam uma reação ante a manifesta disposição de calar as suas vozes.

Assim, a chamada “República Bolivariana” se consolida e ameaça se espalhar pelo continente latino-americano, onde já encontra simpatizantes e parceiros submissos na Bolívia, Equador e até mesmo na orgulhosa Argentina, que, em busca de uns trocados, submete-se á política de Chaves.

Mas, o perigo venezuelano não se limita ao expansionismo da  sua ideologia  demodê, que intenta em implantar no continente o “socialismo do século XXI”. Encontra respaldo em uma sólida base militar que, de forma significativa e pragmática,  vai se construindo e consolidando  a fim de apoiar as suas pretensões expansionistas, com o objetivo definido de, a médio prazo, transformar a Venezuela no maior poder militar da América Latina, ameaçando, desde já, alguns países com intervenção armada , como foi a recente declaração  com relação à Bolívia, país com quem celebrou um controverso acordo militar, possibilitando a construção de numerosas bases nas suas fronteiras, vale dizer, inclusive com a nossa.

Parece que o Brasil ainda não se apercebeu do que está ocorrendo ao norte, quando movido pela abundância dos petrodólares Chaves promove pesados investimentos em armamentos sofisticados, gerando uma corrida armamentista e uma nova realidade político-militar na América do Sul.

O fantástico pacote militar venezuelano pode chegar a US$ 60 bilhões até 2020, quando, no dizer de Chaves, a Venezuela será a mais poderosa potência militar latino-americana. Ao começar o seu programa militar o barril de petróleo era cotado a US$ 40,00, hoje, em torno dos US$90,00, com possibilidades de atingir os US$ 100,0 até o final do presente ano.

Essa abundância de recursos financeiros, com perspectivas de assim prosseguir por um longo período, é um incentivo para a ampliação e o aprimoramento tecnológico do  seu complexo militar, abrangendo de forma ampla e equilibrada as suas forças terrestres,navais e aéreas.

O plano de modernização em curso dará às forças armadas venezuelanas (ou forças armadas bolivarianas) um invejável poder dissuasório, já no ano de 2012, com investimentos estimados  em US$ 30,7 bilhões, conforme abaixo se constata:

- elevação do contingente militar de 83.000 para 500.000 homens;
  
- criação da Milícia Nacional Bolivariana, hoje, com aproximadamente 1 milhão de milicianos , podendo chegar a 2 milhões. Enquadrada pelo Comando Geral das Reservas e Mobilização Nacional, sua estrutura é paralela e não subordinada às forças armadas e destina-se a defender o Partido Socialista Unido da Venezuela (seriam as SS venezuelanas?). Na prática, funciona como um contrapeso político às forças armadas.
  
- aquisição de um lote  3 submarinos russos que pode chegar a 10, classe Amur, de 1750 toneladas, propulsão diesel elétrica, capazes de operar em qualquer tipo de mar (exceção dos glaciares), equipados com 4 mísseis leves de cruzeiro, 10 mísseis antiaéreos e 18 torpedos pesados de 533 milímetros ;
  
- modernização e atualização tecnológica de 2 submarinos  de fabricação alemã;
  
- aquisição e ou revitalização de 138 navios de diversos tipos;
  
- aquisição de um lote de 800 viaturas blindadas russas, BTR-90, 20 toneladas,  sobre rodas, equipadas com canhões rápidos de 30 milímetros , velocidade de 110km/h. Essa compra pode alcançar 1000 veículos, com as 200 unidades suplementares destinadas ao transporte de tropa;
  
- aquisição de 100.000 fuzis automáticos russos kalashinikov, AR-103;
  
- aquisição de 24 super-caças Sukhoi-30, com investimento de US$ 800 milhões, ponta de lança de um ambicioso programa que pode chegar até 150 supersônicos;
  
- aquisição de 53 helicópteros de ataque russos (modelos MI-17, MI-35 e MI-26);
  
 aquisição de 10 aviões de transporte CASA 295;
  
 aquisição de 2 aviões de patrulha marítima CASA 235;
  
- aquisição de 600.000 bombas, comuns e inteligentes, guiadas a laser ou  por GPS, compradas da Europa;
  
- negociação de 10 radares de defesa aérea com a Suíça e de 3 estações de radar tridimensional YPR, com a China, como parte de um programa de US$ 150 milhões para a defesa aérea;
  
- mísseis antiaéreos e de longo alcance.

Será que todo esse aparato militar destina-se apenas a se por a uma possível invasão norte-americana? Parece pouco provável.

A modernização e ampliação das forças armadas venezuelanas tem um importante subproduto político: o apoio incondicional dos seus integrantes à loucura bolivariana e o suporte para um longo período ditatorial.

Chaves, na sua luta messiânica de implantar na América Latina o socialismo do século XXI, não tem pejo de fazê-lo apenas no campo  da doutrinação ideológica. Apóstolo de um credo retrógrado, que nem o grande Simon Bolívar foi capaz de concretizar, sonha unir os povos latino-americanos sob sua influência e poder, de forma pacífica ou cruenta, como recentemente ameaçou, unilateralmente, intervir militarmente na Bolívia para apoiar Evo Morales.

Seria o caso de se perguntar qual seria a atitude brasileira face à essa loucura política, junto às nossas fronteiras.? Iríamos tolerar, como disse o próprio Chaves, um novo Vietnã em área diplomática do nosso interesse imediato?

Arvorando-se portador de uma mensagem salvadora, messiânica, de redenção das populações miseráveis, metamorfoseia-se  em polícia hemisférica apoiando os que lhe são fiéis e combatendo os que se lhe opõem. Começa a apresentar as garras de todo caudilho: a autoconfiança, a prepotência, a propriedade da verdade absoluta e a firme convicção de que os fins justificam os meios.

A Venezuela tem pendências históricas com a Colômbia e a Guiana e tornando-se uma potência militarista e expansionista pode ser tentada a resolvê-las pela força das armas.

A médio prazo está criado um clima de grande instabilidade e apreensão ao norte do continente sul-americano.

E o Brasil como se situa nesse desafiante contexto?

Diplomaticamente, temos demonstrado uma enorme inaptidão  e fragilidade para exercer o poder que temos. Quase  que caminhamos a reboque das idéias de Chaves. Todos os seus grandes projetos e iniciativas – Mercosul, gasoduto sul-americano, banco do sul – mesmo contrariando interesses brasileiros, vêm encontrando guarida e boa vontade na nossa diplomacia, o que só faz crescer a força pessoal e política do caudilho no hemisfério, em detrimento da tradicional influência brasileira.

Militarmente, é ainda mais crítica a nossa situação e, talvez, isso possa explicar a submissão da diplomacia, que não tem a respaldá-la uma  força militar dotada de real capacidade dissuasória.

A ameaça da Venezuela não se restringe apenas à parte norte do país, Roraima em particular. O núcleo vital, Brasília incluída, estará ao alcance dos seus aviões supersônicos, que terão a certeza do sucesso dos seus ataques e incursões pela fragilidade da nossa defesa antiaérea e meios aéreos de interceptação.

Os modernos BTR-90, que mobiliarão as unidades de reconhecimento e mecanizadas venezuelanas, não encontrarão pela frente resistência de vulto e a possível incursão ao longo da espinha dorsal da BR-174 será um verdadeiro passeio.

No mar, o núcleo vital do País, suas plataformas de petróleo e o intenso e fundamental comércio marítimo brasileiro ficarão seriamente ameaçados pelos modernos submarinos Amur, que terão pela frente uma tímida resposta da nossa Marinha.

E por que chegamos a esse  quadro catastrófico e, infelizmente, muito longe de hipotético.?

Porque há um quarto de século as forças armadas brasileiras vêm sendo menosprezadas e contempladas com baixíssimas prioridades, se é que alguma existe, pelas ações governamentais indiferentes às possíveis ameaças e incapazes de estabelecerem e executarem uma política de defesa consentânea com os objetivos de segurança do Brasil. A falta de visão estratégica  dos nossos dirigentes é abaixo da crítica.

É vergonhoso, desestimulante e quase desanimador  o quadro catastrófico revelado nos  recentes depoimentos, no Congresso Nacional, pelos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Em linguagem bem crua e real as nossas forças armadas estão muito aquém, não têm condições de cumprir as suas missões constitucionais de garantia da soberania e integridade territorial brasileiras.

Revanchismos, pequenez política, oportunismos, roubalheiras, politicagens, ausência de uma postura de estadista do comandante-em-chefe têm concorrido para as baixíssimas prioridades dadas às forças armadas, impedindo-as de realizarem investimentos que promovam a sua modernização e atualização tecnológica.

O pouco que recebem é para a sua vida vegetativa. E se existe uma lição que todos temos que apreender é que forças armadas não se improvisam e relegá-las a plano secundário  é correr o inaceitável risco da derrota. Como hoje se encontram, melhor seria chamá-las de forças desarmadas.

É forçoso que o brasileiro em geral e as elites dirigentes em particular tomem conhecimento do estado deplorável, vergonhoso e das enormes fragilidades em que se encontram as suas forças armadas e que, quando empregadas, o verdadeiro ônus do despreparo e do provável insucesso  recaia no governo, na figura do comandante-em-chefe, na  qual o Presidente da República está investido.

O quadro atual parece mais caótico do que aquele vivido nos primórdios da Guerra do Paraguai, quando tivemos que amargar a vergonhosa capitulação de Uruguaiana e promover a reorganização e o reequipamento da Marinha e do Exército quando o inimigo já pisava o solo pátrio.

Mestra nos seus ensinamentos, a história registra o mal que figuras totalitárias e caudilhescas, como a do Sr Hugo Chaves, fazem aos seus países e à humanidade.

Mais do que nunca, o Brasil não pode menosprezar o perigo venezuelano.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Vamos falar do III Congresso do PT (vale a pena recordar)


"Não sou e nem nunca fui socialista. Como posso ser a favor de um regime no qual quem produzir oito garrafas de cerveja ganhará o mesmo que quem produz dez?" (Luiz Inácio Lula da Silva, revistaVeja, 13 de agosto de 1997) 

O Partido dos Trabalhadores surgiu em 1 de maio de 1979, quando foi lançada a sua Carta de Princípios, numa época em que já se delineava a crise do modelo econômico de então, a emergência de um sindicalismo de novo tipo e de uma série de movimentos sociais autônomos, em decorrência da incapacidade da velha esquerda em dar resposta aos novos desafios políticos do final dos anos 70.

Era uma época em que, parodiando o jornalista e ex-guerrilheiro urbano, e depois ministro Franklin Martins, no prefácio que escreveu para o livro "Viagem à Luta Armada", de Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, o último dos comandantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), “o mercado já passava a ser a todo-poderosa entidade globalizada que hoje comanda a humanidade com a sua mão invisível, e não o lugar onde as donas de casa faziam compras; e a massa voltava a ser uma tentação para os que estão em dieta, e não a denominação dada ao povo a caminho de encontrar seu caminho revolucionário”. 

Uma época em que a insana luta armada, a guerrilha, os assaltos e os seqüestros de autoridades e aviões já haviam sido erradicados. Não sem sangue, suor e lágrimas, de ambos os lados, e não sem que reputações fossem manchadas e carreiras abreviadas.

Foi nesse contexto que surgiu o PT, cujo desenvolvimento foi e continua sendo contemporâneo de um período de aceleradas e radicais transformações políticas e econômicas em nível internacional, que conduziram o final do século a um desfecho tão inesperado quanto incerto.

O indivíduo petista, pertencente à cúpula e à vanguarda intelectual do partido, os formadores das metas partidárias, pertence à classe média urbana basicamente vinculada a empregos públicos ou ao jornalismo, publicidade e meio acadêmico. Essas pessoas sempre constituíram a clássica vanguarda dos movimentos esquerdistas de todos os tempos, de Marx a Mao-Tsetung e de Fidel a Hugo Chávez.

O agrupamento auxiliar oportunista é constituído por elementos aproveitadores que se aproximam de qualquer poder ascendente para obter vantagens, aparecer na mídia, ficar na moda, ou compor situações políticas específicas. Podem ser incluídos nesse grupo os príncipes da burocracia enquistada no Executivo, Legislativo, Judiciário e também nas estatais.

A existência de empresários petistas e o engajamento de setores majoritários da Igreja pode ser considerada uma anomalia.

Existem vários PTs, tantos quanto as seitas que pululam em seu interior, com centralismo democrático e jornais próprios, difundindo cada uma a sua doutrina e não a aprovada e definida nos Encontros Nacionais e Congressos do partido.

Na rede de ensino e no sistema de saúde pública, um clássico campo para o esquerdismo, são poucos os não esquerdistas.

Na imprensa, a influência petista tem início nas faculdades de Comunicação com professores, em sua maioria, da esquerda de todos os matizes. Como decorrência, o petismo estende-se às redações e, principalmente, ao núcleo mais jovem das tarefas de reportagem. O jornalismo investigativo - grande arma de poder político dos meios de comunicação - está hoje firmemente em mãos da esquerda, e o manejo eficiente e oportuno desse Poder vem sendo uma das principais alavancas de que se vale a máquina do partido. Embora não eleito, pode ser dito que é um Poder de Estado, o chamado Quarto Poder.

Também o meio publicitário, por uma estranha alquimia, inexplicável à luz da razão, tornou-se esmagadoramente petista, esquecendo-se que nos regimes de democracia popular inexiste a profissão de publicitário.

Já na classe artística, o esquerdismo é derivado do tradicional espírito contestatório anti-burguês no seio das artes. Desligando-se da atmosfera elitista com o advento da Idade Contemporânea, a classe adotou a visão burguesa do século XIX e em seguida migrou para o vanguardismo revolucionário do século XX. Compositores, cantores e teatrólogos, em todo o mundo, sempre foram alvos do fascínio exercido pela esquerda, embora nos regimes ditos socialistas a liberdade de criação seja limitada pelo partido único ou exercida dentro dos gulags.

Finalmente, da alta burocracia estatizante brota o "PT on the rocks" - o PT Romanée-Conti, safra de 1997 - ou seja, o petista de roupa de grife, sempre pronto a viajar para o exterior por conta do Estado, do próprio PT ou de partidos-irmãos. O "PT light" é uma tipologia que inclui uma afetada pseudo-erudição cultural, um ostensivo ar de sempre estar "por dentro" dos acontecimentos e um certo gosto por coisas boas e viagens exóticas, às custas do partido ou do Estado-Burguês - como a viagem de Benedita da Silva, quando ministra, para assistir a um culto em Buenos Aires - ... enquanto ele não é derrubado.

As seitas que compõem o PT estão filosoficamente estruturadas no credo marxista-leninista, no maoísmo, no castrismo, no trotskismo e até no anarquismo. Toda a raiz do partido - fundadores, quadros, militância e cúpula dirigente - é marxista dogmática, bastando, para confirmar essa afirmação, ler os documentos, revistas e jornais editados pelos diversas grupos, denominados tendências.

Os ditos social-democratas do PT, se é que os há, não têm a mínima possibilidade de influir no comando do partido, mas são úteis nas campanhas eleitorais, pois apresentam uma face civilizada aos ingênuos e indecisos. São grupos onde se encontram alguns empresários que se dizem modernos e julgam ser possível dialogar com os xiitas. Isso sempre foi útil e proveitoso para a esquerda, como o empresário paulista Celestino Paraventi foi útil ao PCB e a Prestes nos anos 30.

O III Congresso do Partido dos Trabalhadores foi convocado pelo Diretório Nacional (http://www.ptdf.org.br/documentotodo.asp?iddocumento=25) em reunião realizada dias 15 e 16 de novembro de 2006, muito embora o Estatuto partidário, aprovado em 11 de março de 2001 defina, no artigo 112 que "cabe à Comissão Executiva Nacional convocar o Congresso Nacional". Mais adiante, contudo, no artigo 120, está escrito que "os Congressos serão convocados pelo Diretório Nacional". Observe-se que esse Estatuto, um samba-do-crioulo-doido, foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral. O Congresso foi realizado dias 31 de agosto, 1 e 2 de setembro de 2007, na sede do partido em São Paulo.

Desde sua fundação, além dos três congressos, o PT realizou treze encontros nacionais.

Apenas para recordar, o I Congresso foi realizado em São Bernardo do Campo (SP) entre 27 de novembro e 1º de dezembro de 1991 (10 anos após a constituição do partido), e abordou os seguintes temas: a) Socialismo, concepção e caminhos de sua construção; e b) Concepção e prática de construção e atuação partidária. Ao final, esse Congresso aprovou resoluções sobre Socialismo, Partido e Conjuntura.

O II Congresso foi realizado em Belo Horizonte (MG) entre os dias 24 e 28 de novembro de 1999, e teve como pauta: a) Vinte anos do Partido dos Trabalhadores; b) O Programa do PT; c) O momento atual e nossas propostas; e d) O PT: Concepção de partido e funcionamento. Ao final, o II Congresso aprovou o Programa da Revolução Democrática e reafirmou a Resolução intitulada "O socialismo petista", que fora aprovada pelo 7º Encontro Nacional, realizado em São Paulo entre os dias 31 de maio e 3 de junho de 1990.

O III Congresso tratou da Construção do PT como instrumento político da classe trabalhadora e da atualização do Projeto Democrático, Popular e Socialista para o Brasil, e sua pauta foi a seguinte: a) O Brasil que queremos; b) O Socialismo Petista; c) PT: Concepção de partido e funcionamento.

As teses para o III Congresso estão consubstanciadas no vídeo intitulado "3º Congresso - parte 3 - Socialismo petista"(http://www.youtube.com/watch?v=VNPjm0qfByc), um vídeo de dez minutos de duração, onde uma militante faz uma dissertação sobre as primeiras associações operárias e a história do movimento operário no Brasil e no mundo, repetindo chavões já conhecidos,como "não há socialismo sem democracia e democracia sem socialismo", "a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores". O vídeo é uma ode ao sindicalista Lula, quando descreve os diversos Encontros Nacionais e os dois Congressos anteriores do partido. Finaliza abordando o "novo internacionalismo"proporcionado pelo Foro de São Paulo e Fóruns Sociais Mundiais,"modelos de resistência".

O presidente Lula, em 1 de setembro, segundo dia do Congresso, pronunciou um discurso em plenário, no qual fez uma afirmação altamente controvertida e que suscitou comentários: "Ninguém neste País tem mais autoridade moral, ética e política do que o PT", afirmação delirantemente aplaudida pelos presentes. Isso, depois do STF ter acolhido por unanimidade a denúncia feita contra os 40 quadrilheiros do Mensalão, dos quais a maioria é militante ou vinculada de alguma forma ao partido da ética, inclusive três ex-ministros de Estado, um dos quais - José Dirceu - apontado pelo próprio Lula meses atrás, como o "capitão do time", que costumava dizer que "nada fazia sem que o presidente soubesse", agora promovido, pela denúncia, de "capitão do time" a "chefe de quadrilha".

A oposição no Congresso Nacional - para quem esse tipo de comentário, na semana em que o STF abriu processo contra os 40 nomes do Mensalão, soa como estímulo à impunidade - reagiu à afirmação de que ninguém tem mais autoridade moral e ética que os petistas. "Foi um discurso cínico, que remete a algum tipo de preocupação do presidente de que alguém possa falar mais do que já se sabe e comprometê-lo de forma definitiva" - disse o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). "O presidente Lula assumiu o terrível papel de arauto da impunidade, afirmando que o padrão ético é esse exibido pelo PT", disse o senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM. Já o então líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse que "na História do Brasil contemporâneo, nenhum outro partido, tendo chegado ao poder, se viu mergulhado em falcatruas, escândalos e foi processado como está agora o PT. Onde o presidente estava com a cabeça ao dizer que ninguém tem mais ética que o PT? Esse discurso não tem nenhum amparo factual". Já o deputado Chico Alencar, ex-integrante do Diretório Nacional do PT, atual líder do P-Sol, foi também um dos críticos de Lula: "Com essas declarações ele transforma os traidores em companheiros e autoriza, no ambiente do PT, que nada se altere. Ele, que já não enxergava nada acontecendo ao seu redor, agora cria a `ilusão de ética´".

Segundo a contundente análise do professor Aldo Fornazieri, diretor Acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em O Estado de São Paulo de 2 de setembro de 2007 (http://txt.estado.com.br/editorias/2007/09/02/opi-1.93.29.20070902.2.1.xml) da qual transcrevemos alguns fragmentos: "O 3º Congresso do PT está sendo marcado por uma forte retomada da bandeira do socialismo. Nas 11 teses inscritas, o tema do socialismo aparece como central em todas elas. Que as correntes mais esquerdistas do partido se mantenham fiéis ao ideário socialista é compreensível. O que surpreende é que a tese dos moderados, `Construindo um Novo Brasil´, também tenha centralizado sua narrativa em torno do tema do socialismo. 
Existem três hipóteses para tentar entender esta guinada mais à esquerda do PT, particularmente dos moderados. Primeira hipótese: os moderados fizeram um discurso socialista visando a reaglutinar militância e força após o abalo suscitado pela crise do Mensalão. Segunda hipótese: os moderados e o PT como um todo fizeram uma inflexão à esquerda como reação ao governo Lula, que não sinalizou avanços significativos em termos políticos e programáticos que pudessem caracterizá-lo como um governo claramente de esquerda. Terceira hipótese: a guinada esquerdista do PT está relacionada à disputa pela hegemonia na esquerda da América Latina. Qual o significado prático da esquerdização do PT? Aparentemente, nenhum. E a recaída socialista dos moderados é meramente retórica e não passa de um ardil político".

Prossegue o professor Aldo Fornazieri: "Em relação à segunda hipótese, por exemplo, por mais socialista que seja o discurso do PT, ele não tem força para reorientar o governo. O governo Lula aglutina um espectro de forças que vai da centro-esquerda (PT, PCdoB, PSB) à centro-direita (PP, PTB, PRB). O seu centro de gravidade, no entanto, é dado pelo PMDB e pela influência de setores do mercado financeiro e da indústria. O discurso socialista também não mudará o novo contexto político da América Latina. O problema é que a face real do PT é dada pelo governo Lula. O PT deveria agradecer por este fato, já que o governo se tem mostrado bem mais sensato e realista do que o partido. 

O PT assume um discurso socialista adotando, inclusive, a expressão "socialismo do século 21" (tese dos moderados), tal como a usa o presidente da Venezuela. Com isto parece que o PT quer dessemelhar-se do governo Lula e assemelhar-se ao ideário de Chávez".

A análise dos moderados do PT, que assinaram a tese Mensagem ao Partido, acredita ser possível combinar socialismo e democracia."Para isso" - diz o professor Fornazieri - "destroem o conceito de socialismo, que, no seu significado estrito, expressa a noção de socialização dos meios de produção. A tese do socialismo democrático é um paradoxo em si: socialismo e democracia não são compatíveis, já que a socialização dos meios de produção não pode ser alcançada e mantida sem o uso de meios autoritários e até mesmo de violência".

E conclui o professor Fornazieri: "Não há no conjunto das teses petistas uma preocupação central com um projeto de desenvolvimento, com a reforma do Estado, com a complexa questão da Amazônia, com o lugar do Brasil no mundo globalizado e na América Latina mais instável e com questões de segurança pública e de segurança e defesa nacional. Em resumo, as teses do Congresso do PT promovem uma fuga da política real para a política abstrata". 

Durante a sessão solene de abertura do Congresso, representando os cerca de 100 delegados, partidos e organizações de esquerda de 32 países - Alemanha, Angola, Argentina, Bolívia, Chile, China, Colômbia, Coréia do Norte, Cuba, El Salvador, Espanha, EUA, França, Galícia-Espanha, Haiti, Honduras, Itália, Japão, México, Nicarágua, Palestina, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, República Saharaui, Síria, Suécia, Uruguai, Venezuela e Vietnã, falaram os representantes do Partido Comunista Cubano - Fernando Ramírez de Estenoz, chefe do  Departamento de Relações Exteriores do PC Cubano - e o da Frente Ampla do Uruguai, saudando o Congresso.

Entre aplausos dos presentes, Ramirez de Estenoz obsequiou ao então presidente do PT, Ricardo Berzoini, um quadro da celebração do 1º de maio último na Praça da Revolução, em Havana. 

Também faziam parte da delegação cubana Sergio Julio Cervantes Padilla, conhecido membro do Departamento América que por repetidas vezes, desde 1985, exerceu funções e cumpriu missões no Brasil sob cobertura diplomática, e Maria Antonia Ramos, funcionária do Departamento América. 

Matérias aprovadas:

O texto-base da Resolução Política votado pelo plenário reafirma o caráter socialista, democrático e popular do partido”. Uma contradição, pois se é socialista não é democrático e nem popular, uma vez que o socialismo, como é conhecido, oprime o homem. Um dos redatores desse texto foi Marco Aurélio Garcia, o MAG, eminência parda em matéria de política exterior, com gabinete no palácio do Planalto.

No último dia do Congresso, as eleições internas, previstas para 2008, foram antecipadas para 2 de dezembro (primeiro turno) e 16 de dezembro (segundo turno) de 2007. Os prováveis candidatos à direção do PT são Marta Suplicy, então ministra do Turismo, Patrus Ananias, então ministro do Desenvolvimento Social, Jacques Wagner, então governador da Bahia e Fernando da Mata Pimentel, então prefeito de Belo Horizonte.

Uma das discussões mais acirradas no Congresso foi a da emendaPor um Brasil de Mulheres e Homens Livres e Iguais, apresentada pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT, que em seu texto traz a defesa da "descriminalização do aborto e da regulamentação do atendimento de todos os casos no serviço público". A emenda foi aprovada. O texto original trazia a expressão "legalização do aborto", mas ela acabou substituída pela expressão"descriminalização do aborto", após consenso entre os delegados do partido. 

O PT terá um Código de Ética, a ser elaborado a partir de propostas apresentadas pelas diversas tendências, que se comprometeram a buscar consenso sobre o texto, após o Congresso. Um fato inusitado: o partido tem um Conselho de Ética, mas não tem um Código. As resoluções pontuais sobre Corregedoria, Sistema de Controle, Conselho Fiscal, Comissão de Ética e Conselho Nacional de Eleitos ficaram para o 14° Encontro Nacional do partido, que seria realizado em 2009. Ou seja, o Congresso empurrou com a barriga...

Os delegados presentes aprovaram também o apoio ao plebiscito pela anulação do leilão da companhia Vale do Rio Doce, que está sendo realizado em todas as regiões do país até o próximo dia 7 de setembro.

Na tarde de sábado, dia 1 de setembro, foi aprovada a defesa de uma Constituinte exclusiva para elaborar uma ampla reforma política. Através dessa decisão, o PT quer comandar o movimento e as mobilizações pela criação da Constituinte. Em um acréscimo feito pouco antes do momento da votação, os autores estabeleceram que a instalação da Constituinte seria precedida por um amplo debate com os movimentos sociais, sindicais e com partidos democráticos para definir a melhor forma e o prazo limite para concretizar o projeto.
"Nossa intenção é colocar o PT na liderança do processo e pôr os debates em marcha já neste ano", disse o deputado federal Henrique Fontana, um dos defensores da emenda aprovada.

Ao final do Congresso foi aprovada por unanimidade u´a moção pedindo a "democratização das Forças Armadas" e criticando declarações de generais em defesa do regime militar (1964-1985):"O PT entende ser uma tarefa urgente de o governo brasileiro iniciar um processo de democratização das Forças Armadas, que precisam ser transformadas em instituições a serviço da população e da democracia", diz a moção.

De acordo com o documento, "é inaceitável que alguns generais em postos de comando continuem a fazer manifestações públicas em defesa da ditadura, ou que as instituições militares possam constranger o regime democrático, colocando-se acima da lei ao desacatar decisões judiciais e administrativas legítimas".

A moção pede também a abertura dos arquivos do regime militar. "Já há decisões judiciais ordenando a abertura dos arquivos militares, decisões essas desrespeitadas tanto pelo governo quanto pelas Forças Armadas. O governo Lula comprometeu-se a abrir tais arquivos, mas até agora não o fez", diz o texto.

Temas inofensivos ou pitorescos não deixaram de ser abordados e considerados documentos oficiais do partido, como, por exemplo, moções em apoio aos índios tupiniquins do Espírito Santo, em defesa do adicional de periculosidade para carteiros e pelo banimento do amianto. Todas foram votadas em bloco, sem debate, num plenário já bastante esvaziado.

Em suma, o Congresso do PT aprovou a luta pela convocação de uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política; um plebiscito sobre a reestatização da Vale do Rio Doce; a manutenção da política de coalizão para 2010; a elaboração de um Código de Ética para o partido; decidiu abraçar a campanha pela descriminalização do aborto; e uma última, à qual não foi dada nenhuma publicidade: a realização do XIV e XV Encontros do Foro de São Paulo, em Montevidéu, no ano seguinte e na Cidade do México em 2009.

E, além disso, atacou as Forças Armadas e os generais.

Vejam, senhores! Quem define em quais países e em que datas devem ser realizados os encontros do Foro de São Paulo - uma entidade que, para muitos, não existe e que não passa de uma divagação do filósofo Olavo de Carvalho, é o Partido dos Trabalhadores!

Referências Bibliográficas:
- imprensa petista e imprensa em geral
- Araújo, André, livro Os Marxistas no Poder, 1995, editora do Centro de Estudos da Livre Empresa
- Azevedo, Clovis Bueno, livro A Estrela Partida ao Meio, 1995, editora Entrelinhas
- livreto O que é o PT, Secretaria Nacional de Formação Política do PT, junho de 1991